Tudo que possuo é a madrugada
O tempo
tem
dono.O tempo
tem
sono.O tempo
faz
temporalNa madrugada.
E a hora
já passada,
de tanto
passar
passou
da medida.O tempo
não tem
saída.
O tempo adormece na madrugada.
Não sei se é a madrugada lá fora ou a que carrego dentro de mim.
Não as vejo e as sinto do mesmo jeito.
Não sei se é mesmo que doem ou se é o constante ruído da civilização,
Que em mim não sou eu e fora só faz lembrar-me disso.
Tampouco creio que a noite seja tua ausência em mim,
Pois nem ao menos sei quem és.
(Talvez porque tivesse entendido o contrário
E afinal tu sejas apenas escuridão, negações e incertezas.
Confundo o vento que sopra com tua voz
Mas nele só ouço meu desejo de ouvir.)
Pouco diferem as estrelas lá fora das que tenho comigo —
No céu brilham infinitas e inalcançáveis,
Em mim infinitas estendo-as a ti.
Tudo que possuo é a madrugada.
Não sei se é a madrugada lá fora ou a que carrego dentro de mim.